Entrevista

A VOZ QUE CANTA POR NÓS

Em uma mesa de bar, com uma gelada ao lado do jeito que “todo” Sambista gosta de estar é que fiz essa entrevista, não poderia ser de outra forma já que o entrevistado da vez além de talentoso é prata da casa e tem samba na veia, mas em vez de roda de samba o que rolou foi uma roda de um bom papo. O nosso site trás dessa vez um dos melhores interpretes do carnaval capixaba e é com muito orgulho que digo que “esse” é nosso.
Vicente de Paula do Santos mais conhecido como Tim fala da sua intimidade, dos seus sentimentos e opiniões, nos deixando assim mais próximos. O garoto que veio de família humilde, mas que deu a volta por cima com trabalho e dignidade é a voz do Novo Império, é ele quem leva nossos sambas para avenida e nos arrepia quando canta o nosso grito de partida na concentração. - “Alô Família Imperiana o Bicho vai pegar”, que só ele sabe fazer.
De olhar triste e em contra partida um sorriso largo no rosto, possui uma voz altiva e marrenta no jeito de falar que muitas vezes é confundida com outros adjetivos, mas uma coisa não gera confusão ele é talentoso, afinado, têm voz de sambista como poucos e ainda tem um coração pra lá de generoso.

Tim é natural de Vitória, mora no Bairro Mario Cypreste na Grande Santo Antônio, perto da nossa quadra, nasceu no dia 14 de Outubro de 1980, filho de Luiz Carlos dos Santos (Polha) e Elida Oliveira dos Santos, possui dois irmãos Lolo e Elem e ainda um filhinho muito lindo, Fernando Barbosa dos Santos.
Hoje pra fãs de plantão nosso artista está casado com Tatiane Rodrigues, que também faz parte da Família Imperiana.

Então nos conta Tim!

Time do Coração: Flamengo
Escola do Coração: Beija-Flor
Prato Preferido: Carne
Lazer: Roda de samba, sem compromisso.
Lugar: Minha casa
Vaidade: Tenho picos, às vezes sou vaidoso às vezes largado, mas gosto de me vestir bem.

 

Como surgiu Tim para Novo Império?

Minha vida no samba se iniciou dentro da quadra, antigo caldeirão na ladeira, subindo Caratoira.
Eu me julgo da seguinte forma, eu não sou imperiano, eu nasci imperiano e existem pessoas que são e estão, são aquelas pessoas que caem de pára-quedas dentro da quadra e onde aparece uma janela eles estão entrando e eu não sou e nem estou, eu nasci IMPERIO.

 

O que te levou pra área musical, em especial o samba?

A musica é herança genética, na minha família quem me antecedeu nesse cargo foi nada mais nada menos que meu pai Polha, eterno interprete do NOVO IMPERIO. Daí em diante, apesar da minha idade, minha trajetória no samba foi longa. Eu passei maior parte da minha vida dentro dessa quadra.

 

Existem outras pessoas da família envolvidas nesse meio musical?

Minha família é toda do meio musical, meu tio Altamar é compositor e tem vários sambas campões na escola, meu tio Zé Luiz (Quirica) fez parte do LP “Novo Império apresentam suas raízes”, que tinham vários baluartes que já haviam ganhado samba do Novo Império.

 

Você tem um irmão que também é do meio do samba, o Lolo, como que aconteceu essa parceria?

Acaba uma coisa puxando a outra entendeu? Pai, irmão mais velho dois anos de diferença, é um ciclo automático não foi força, empurrãozinho não, a vida o levou a isso. Eu entrei primeiro, quando o carnaval voltou em 2000 no centro de vitória, comecei como apoio do meu pai, só eu e meu pai. E logo depois ele seguiu o mesmo caminho.

 

E você fez algum trabalho de aperfeiçoamento na musica?

Fiz canto lírico e popular durante dois anos no NIC-Núcleo Integrado de Canto, comecei com canto popular, achei que meus horizontes poderiam ser maiores e parti para o canto lírico, entendo bastante da didática da musica.

 

Quando você começou a sua carreira alguém te inspirou a cantar?

Não, por que meu maior ídolo foi meu pai, em questão musical sempre me espelhei no meu pai.

 

E quem você admira como interprete no Rio?

São vários, Nego, Wantuir que são meus amigos pessoais e o saudoso Jamelão da Mangueira.

 

E em Vitória existe alguém que você admira ?

Um cara que também é muito meu amigo, eu gosto tanto da pessoa quanto do profissional é Marquinho Gente Bamba.

 

Tim você lembra de algum título do Novo Império?

Eu não tive esse prazer de ver o IMPÉRIO campeão, no meu primeiro ano de interprete oficial na avenida eu entrei com aquela gana:- EU VOU SER CAMPEÃO. Acabou que o desfecho foi o Vice Campeonato e a NOVO IMPÉRIO perdeu por meio ponto.

 

E ficou alguma lembrança boa dessas disputas?

Cada segundo lugar que a escola ficou ficava também a alegria de ver que a escola sempre brigava pau a pau pelo título. Eu sou uma pessoa que tem um espírito de campeão, eu não consigo ficar perdendo por muito tempo, quando eu entro na briga é pra dar o meu melhor, eu sempre entro pra ganhar.

 

Qual momento pra você foi mais marcante no NOVO IMPÉRIO?

Pra mim o momento mais marcante que só de pensar nessa historia me emociona, foi a morte de um grande amigo meu Osvaldo Ribeiro Pinto, o BADU, agente tinha uma historia quase de pai e filho.

 

O que pra você é ser imperiano, até por que você poderia estar em qualquer escola com o talento que tem. O que é então ser, nascer e viver dentro da NOVO IMPÉRIO?

Convites de outras escolas já tiveram sim, mas no momento do convite eu ainda nem tinha amadurecido minha linha de pensamento, nessa época dos convites eu não me vi em outro lugar, em outra escola, em momento algum, mas tem certas coisas que com o passar do tempo vão te desgastando, você profissionaliza o seu trabalho, tenta crescer profissionalmente, mas só que a historia não vai te acompanhando e ai isso começa a te chatear, ai começa a vir na sua cabeça tomar outros horizontes. Não que eu tenha uma nova opinião formada agora, porque como dizem os grandes incansáveis, sou brasileiro não desisto nunca! Eu não desisto disso aqui e não vou desistir fácil, aqui é minha casa, nasci aqui e vou lutar por isso aqui.

 

Você é a cara da Novo Império, aliás, você é a voz da Novo Império, tanto na quadra quanto ali no momento do desfile quando “O Bicho vai Pegar”, a sua voz é a nossa voz. Você já se deu conta dessa importância, dessa ligação que a comunidade faz de você com a escola ?

Não dessa maneira, eu não sou de me auto titular, de me rotular, mas quando alguém chega até você pra dizer é diferente, quando as pessoas falam da sua importância para agremiação em si você acaba se convencendo, se auto titular é fácil, mas a partir do momento que você passa a ouvir das pessoas da importância que você tem, é ai que você passa a acreditar.

 

Aqui dentro da Novo Império quem foi seu maior incentivador?

Francisco Spala Neto, Eucarli Roseiro, Marlene, enfim é injusto citar nomes, porque não conseguiria falar de todos.

 

Você se considera um cara polêmico?

Polêmico não, eu tenho uma linha de pensamento, eu sou um cara de opinião, eu raramente me arrependo do que eu faço só me arrependo do que eu não faço, antes de falar alguma coisa ou tomar qualquer atitude eu penso muito, justamente pra não me arrepender. Acho que as pessoas me julgam muito por eu falar o que penso e eu não vejo isso como ser polêmico e sim ser real, direto e sincero. Eu não gosto de recados, quando se manda um recado ele nunca chega do jeito que foi passado, então é melhor chegar e falar, e se ser assim é considerado polêmico então eu sou, por ser sincero e falar sem rodeios. Muita gente fala que eu deveria mudar, mas eu não concordo, a sinceridade é a melhor coisa que existe se você tem uma opinião formada, passe adiante. Para quem aceitar sua opinião absorva, para quem não aceitar, ignore.

 

Quantos anos como interprete na Novo Império?

Como interprete oficial eu estou a oito anos, incluindo os anos como apoio fica na faixa de onze.

 

Qual a diferença de Tim na quadra e Tim na avenida?

Tim na quadra é brincalhão, descontraído, na avenida é o Tim centrado, sem muito sorriso é mais profissionalismo.

 

Qual samba você mais gostou de cantar na avenida?

Bodas de Aranã foi um samba empolgante e pra cima. E um samba que não tive a oportunidade de cantar, mas gostaria, foi "O Esplendor da Natureza". Que se Deus quiser vai ser reeditado um dia.

 

Um desejo em relação a Novo Império?

Ver o IMPÉRIO campeão não é mais um desejo, é uma meta pessoal, depois disso eu serei um cara realizado.

 

Para aqueles que querem ser intérpretes, deixe um recado.

Eu sou um grande incentivador daqueles que estão buscando espaço, acho que eu consigo abrir o leque, eu não tenho a vaidade de estar o tempo todo no palco, agarrado ao microfone cantando, quando eu vejo que a pessoa tem uma vontade eu abro espaço, por exemplo, tem vários garotos da bateria que estão ali, mas estão pensando em cantar, eu deixo e abro espaço, porque nós temos tem que dar essa oportunidade, porque ninguém vai ficar pra semente, temos de valorizar os talentos da casa, senão serão valorizados pelas escolas co-irmãs. O Império tem esse defeito, de valorizar algumas pessoas depois que elas saem da escola, um exemplo é o Danilo atualmente intérprete oficial da Escola Pega no Samba a quem eu dei oportunidade e ele soube aproveitar, somado ao talento que ele tem e que eu admiro, ele voou, não ficou agarrado a ninguém e nem a escola. Então as pessoas que o criticavam, voltam dizendo: Pow! Danilo está cantando muito!!!!.
E ai eu digo: - São seus olhos, Danilo está cantando aquilo que ele sempre cantou, mas aqui dentro o trabalho dele nunca foi reconhecido, e depois que ele cresceu ai sim foi respeitado.
Eu acredito muito no trabalho dele.

 

O que você acha que a Novo Império deveria mudar pra ser campeã?

A logística do carnaval, delegar cargos a quem tem competência, a quem tem intuito de trabalhar em prol da escola, por que ter diretor só pra vir aqui botar roupinha branca, sapatinho branco e entrar na quadra não funciona, tem que ter empolgação pra trabalhar, tem que ter garra. Colocar para trabalhar quem realmente tem disposição pra isso, cargos tem que ser dados por competência, por quem sabe fazer. A Escola funciona como engrenagem, se faltar uma peça da engrenagem a maquina para, nenhum setor é mais importante que o outro todos têm sua importância e todos trabalham em prol da escola, ninguém é auto-suficiente, só uma determinada área não ganha o carnaval, quem ganha carnaval é o conjunto é a maquina toda.

 

Você foi subestimado quanto organizou a festa das baterias, mas fez exatamente o que prometeu, o que você tem a dizer sobre essa festa?

Eu vivo de desafios e quanto mais desafios houver pra minha pessoa acaba virando uma meta pessoal, eu ouvi que eu não iria conseguir lotar a quadra, e eu consegui com várias festas acontecendo no mesmo dia, algumas delas com entrada gratuita, e ainda assim a nossa quadra encheu, foi toda uma logística de trabalho com respeito às pessoas envolvidas no contexto.
Eu priorizei o respeito ao publico, e é disso que o publico gosta, de ser respeitado, em respeito às atrações, porque eu quando chego para fazer uma apresentação eu gosto de ser bem recebido, então fiz para os convidados o que gostaria que fizessem para mim.
Colocamos a disposição do publico a infra-estrutura que ele gosta de ter ao seu alcance e foi com esse respeito que conseguimos fazer a festa que fizemos.
E graças a DEUS o evento foi um sucesso, claro com a colaboração de muitas pessoas,
mesmo tendo muitas pessoas torcendo contra.
Só tenho a ficar feliz com a casa cheia, e quero ver mais festas com a casa cheia como foi aquela sexta feira.

 

Uma mensagem para o Leitor.

Não me julguem, porque a partir do momento que você passar a conhecer Tim sua opinião vai mudar como já aconteceu como a de muitas outras pessoas, então não me julguem sem me conhecer.

Obrigada Tim.

A próxima entrevista pode ser a sua.
Essa inédita iniciativa e da Equipe de Comunicação do GRESNI

 

 

 

 

 
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